Os Dois Lados Do Muro

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Todos os dias passo pelo menos duas vezes pela frente de um cemitério e sempre passo olhando por dentro daquelas grades azuis que separam os vivos dos mortos. Não, não espero algum cadáver sair de uma das covas ou coisa do tipo, apenas observo os túmulos que boa parte são verdadeiras obras de arte. Mas o que me chama a atenção é a diferença absurda separada apenas por um muro gradeado, nosso “mundo” conturbado cheio de sons e vozes enquanto do outro lado há um silêncio sepulcral, vazio, apenas o vento circula e assobia por entre a floresta de mármore frio. Às vezes dá vontade de parar ali e ficar olhando aquela paisagem fria, em dias chuvosos ele parece mais belo, mais atraente até, só que não dá pra ficar parado em frente a um cemitério sem que te olhem como você fosse um louco ou um suicida em potencial, coisas que não sou, nem pretendo chegar perto de ser. O engraçado é que nós começamos a ver a morte por outra ótica quando perdemos alguém muito querido, alguém que seria indispensável para nossa sobrevivência nesse nosso lado do muro, mas ele está lá no vazio do silêncio mórbido e já não pode mais ouvir nosso apelo por ajuda ou nossas declarações de amor eterno. Infelizmente essa é a vida. O ponto que quero chegar é que eu e você devemos, precisamos valorizar quem nos é próximo, amar quem sempre está conosco e quem não está também, amar até aqueles que nos odeia, estamos fazendo um bem pra nós e pra eles se agirmos desta forma com nossos “inimigos”. Cristo nos deixou um mandamento essencial para podermos viver em harmonia, mandou que amassemos nosso próximo como a nós mesmos. Nosso próximo, agora pode ser nosso inimigo em poucos minutos depois. É difícil falar de amor durante esse período em que o mundo vive um narcisismo brutal, pensa somente em si mesmo, uma sociedade “emsimesmada” cheia de defeitos e traumas, que aponta apenas o erro do outro, eu e você vivemos assim, às vezes somos assim, quase sempre somos assim. Porém, temos o poder de fazer com que alguém saia da mera existência , deixe de existir (como a palavra indica: ex-sistere– estar de fora) para que seja inserida na vida, para que ela seja e somente conseguimos fazer isto valorizando quem nos rodeia e quando estiverem do outro lado do muro gradeado não sentirmos remorsos ou arrependimentos. Apenas ame, valorize e se importe assim seremos felizes, assim seremos nós.

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